Já era mais que tempo

Junho 2, 2008 by Raquel Figueiredo

À milhas de abismos daqui
Orbitam asas frescas esperando pelos passageiros
Pelos peregrinos do infinito
No porão da noite guardei um sonho bonito
Não é o momento Ainda não é o momento
Mais um coração trancafiado no tártaro negro
Eclodiu o clarão do relâmpago silencioso
Já era mais que tempo
Estou desenterrando uma vontade antiga
Já era mais que tempo de desenterrar a vida
E Deus despertou do sono que teve

Maio 28, 2008 by Raquel Figueiredo

um recente poema da minha irmã:

Os tempos vão lentamente caindo,
A areia escorre na ampulheta.

Miúdos, miúdos pedaços.

Muitos pedaços miúdos jogados uns sobre os outros.

Fico pensando em pedacinhos de mim,
Escorrendo como areia,
Marcando as horas dentro de um vidro.

Uma miúda sensação faz escorrer sobre mim outras miúdas sensações.

Tenho saudades inexatas
E cúbicas lágrimas,
Gelo que desliza os olhos.

Não há como pontuar a eternidade

(Rosana Kali)

fotos: “Um gole de chá”

Maio 24, 2008 by Raquel Figueiredo

Novas fotos da nossa peça, que estará de volta em cartaz no Sesc em agosto.

Abril 27, 2008 by Raquel Figueiredo

Eu, que fui a amante do mais belo dos homens,
Qual um deus na Terra,
Eu percorri ilusões sem nome
E os sentidos da sobriedade
Eu vesti com um arco-íris de cetim.

Eu, que gostaria de ter a vista nua,
Tive nuvens sobre mim.
Meus olhos se misturaram aos de um desconhecido,
E eu fui infiel comigo quando o trai.
Porque desconhecendo, eu mais conhecia;
E quanto mais chorava, mais ria.

Como inexoravelmente acontece,
O que era jovem virou ontem;
E eu não tornei a ver a face do amante.
Contudo meu coração albino canta ainda,
Como sempre cantou, todas as canções ilícitas.

Para ele,
Eu continuo sendo uma muda prece,
Nunca um grito encarnado.
Eu me tornei menos que uma prece,
Apenas um gemido calado.

Entretanto agora,
Meus passos se afastam,
E também ele não tornará a ver a minha face.

Abril 8, 2008 by Raquel Figueiredo

Um dos meus poemas preferidos do meu amigo Marcelo:

ESTAÇÃO DO SILÊNCIO

A estação do silêncio está chegando
Percebo pela mira dos seus olhos
E pelas sombras que se formam no vazio
O descanso das canções não tardará
Sinto pelas emoções
Que me escorrem através dos dedos
E pela fria evaporação de meus desejos
A estação do silêncio está chegando
Minhas asas vão secar e cair
E meus pensamentos engolirão a mim mesmo

( Marcelo Domingues - A Luz dos Lunáticos)

Março 28, 2008 by Raquel Figueiredo

frase das bruxas de Macbeth:

“O Belo é podre, e o podre, belo sabe ser.
Ambos pairam na cerração e na imundície do ar.”

                                            (Shakespeare)

Março 18, 2008 by Raquel Figueiredo

Por motivos mais de estudos que de fé, resolvi retomar a leitura bíblica, e passando por umas miúdas letrinhas da gênesis, conclui que Deus não é vegetariano, em absoluto. Pois vejam:

Um dia Caim pegou alguns produtos da terra e os ofereceu ao Deus Eterno. Abel, por sua vez, pegou o primeiro carneirinho nascido no seu rebanho, matou-o e ofereceu as melhores partes ao Deus Eterno. O Eterno ficou contente com Abel e a sua oferta, mas rejeitou Caim e a sua oferta. Caim ficou furioso e fechou a cara, e então o Eterno disse:
– Por que você está com raiva? Por que anda carrancudo? Se você tivesse feito o que é certo estaria sorrindo; mas você agiu mal, e por isso o pecado está na porta, à sua espera…

(gn. 4, 3)


Depois disso todos sabem que Caim matou Abel e por isso foi castigado e andou errante pelo mundo e por aí vai…

Asas algemadas

Março 16, 2008 by Raquel Figueiredo

Por mais que fossem sólidos os sonhos,
Eles derreteram na geladeira do medo.
O desejo foi guardado como um segredo
E como um pecado para as almas de neve negra.

Com suas duas asas algemadas
Ele teve tempo de sentar e se tocar,
Porém não quis olhar pela janela as estrelas que perdeu.
Ele, querubim de vento e seu lamento.

Os risos foram vetados
E se esconderam atrás do infinito.
A verdade também está interditada
Ou então esquecida longe dos deuses inventados.

Ela esperava ainda por ele,
Contudo era loucura ou era sanguinário.
Talvez fosse desnecessário o que já fora urgente.
Ela, a vela que ele acendeu e assoprou.

O espírito dourado

Março 9, 2008 by Raquel Figueiredo

Não mais os caminhos holográficos,
Não mais as paixões irreais.
É hora de acordar o espírito dourado!
Inundar a alma de poesia.
Quero ser a essência do infinito.

Eu chorei uma lágrima incolor.
Eu chorei uma lágrima seca.
Eu chorei uma lágrima no interior.
Eu chorei todo o meu passado,
Ondulou pelo olhar marejado,
Uma onda que não voltou.
Agora tenho apenas presente.
Não sou dona do tempo.
E o futuro nunca chegará.

A dor necessária para o aprendizado,
Os erros nos quais nunca mais…
As pessoas que quero reencontrar,
Um dia.
Agora é tempo de encontrar a mim,
Desvendar o meu íntimo segredo,
Escondido atrás de sete véus
Banhados em fel.
É hora de acordar o espírito dourado!

E era…

Março 6, 2008 by Raquel Figueiredo

E era, quem me dera, era primavera e a atmosfera era de outra era que já era, que mesmo que era nessa era parecera que era na era primeva, da primeira primavera.Mas erra quem berra nessa era porque não era a primavera da primeva era, a primeira primavera…