Asas algemadas

By Raquel Figueiredo

Por mais que fossem sólidos os sonhos,
Eles derreteram na geladeira do medo.
O desejo foi guardado como um segredo
E como um pecado para as almas de neve negra.

Com suas duas asas algemadas
Ele teve tempo de sentar e se tocar,
Porém não quis olhar pela janela as estrelas que perdeu.
Ele, querubim de vento e seu lamento.

Os risos foram vetados
E se esconderam atrás do infinito.
A verdade também está interditada
Ou então esquecida longe dos deuses inventados.

Ela esperava ainda por ele,
Contudo era loucura ou era sanguinário.
Talvez fosse desnecessário o que já fora urgente.
Ela, a vela que ele acendeu e assoprou.

Uma resposta para “Asas algemadas”

  1. André Simões Disse:

    Este poema tem belas imagens, gostei particularmente da última estrofe. Parabéns!

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