Eu, que fui a amante do mais belo dos homens,
Qual um deus na Terra,
Eu percorri ilusões sem nome
E os sentidos da sobriedade
Eu vesti com um arco-íris de cetim.
Eu, que gostaria de ter a vista nua,
Tive nuvens sobre mim.
Meus olhos se misturaram aos de um desconhecido,
E eu fui infiel comigo quando o trai.
Porque desconhecendo, eu mais conhecia;
E quanto mais chorava, mais ria.
Como inexoravelmente acontece,
O que era jovem virou ontem;
E eu não tornei a ver a face do amante.
Contudo meu coração albino canta ainda,
Como sempre cantou, todas as canções ilícitas.
Para ele,
Eu continuo sendo uma muda prece,
Nunca um grito encarnado.
Eu me tornei menos que uma prece,
Apenas um gemido calado.
Entretanto agora,
Meus passos se afastam,
E também ele não tornará a ver a minha face.