Eu vou falar eu vou ouvir eu vou cantar eu vou calar
Embora os fatos se escondam, tanto mais os não-fatos
Mais tarde somem os sins e nascem os nãos
Atravessam os talvezes e ficam as interrogações
meu deus
pode-se viver nas paredes de fotografias
e nas caixas de sapatos.
solitária, cantando; enlutada, orando
eu sei e soube, entre a certeza e a fé
quero porque não quero
Não saberia Não saberei
Um dia talvez
Que rostos têm os anjos? Que nomes?
Quem são? E quantos?
E quem confundir anjos com demônios?
Pois estes já não foram aqueles?
Alguém desceu do sótão com uma lágrima no olho direito!
Coitado, este já está condenado.
Quem é aquele que está me olhando?
Estou sendo vigiada quando estou sozinha?
Quem mais está aqui comigo nesta escada vazia?
Quem? Quantos? Onde? Por quê? Sou?
Eu preciso saber por que me movo .
Todos quiseram explicar, eu me entediei com as respostas
Alguém jogou a culpa em mim, e eu me desculpei
Ninguém mais me respondeu
De quem é a culpa? De quem será?
Tantas mortes a serem colhidas
A vida é feita de pequenos e grandes abandonos
O teu olhar primeiro foi uma das minhas milésimas mortes
Teu rosto É este o rosto que devem ter os anjos
E os demônios também
Dezembro 6, 2008 às 7:24 pm |
A arte e a criação ganham ímpeto com a melancolia. Não é um julgamento, apenas uma constatação.
E como a literatura sempre ressoa em mais literatura, num impulso, te mando um presente para que as vozes de anjos cruéis e demônios companheiros continuem ecoando:
http://www.lojaconrad.com.br/trecho/osoutros_p1.asp
Trata-se de um belíssimo conto de Neil Gaiman. Eu comprei o livro essa semana. Fica ainda melhor quando compartilhado.
Um beijo, bela poetisa… com todo aquele carinho e saudade que aconchegam…