Arquivo da categoria ‘outras vozes escritas’

Dezembro 12, 2008

pequeno poema do grande poeta chileno:

Otro

De tanto andar una región
que no figuraba en los libros
me acostumbré a las tierras tercas
en que nadie me preguntaba
si me gustaban las lechugas
o si prefería la menta
que devoran los elefantes.
Y de tanto no responder
tengo el corazón amarillo.

(Pablo Neruda – El Corazón Amarillo)

Maio 28, 2008

um recente poema da minha irmã:

Os tempos vão lentamente caindo,
A areia escorre na ampulheta.

Miúdos, miúdos pedaços.

Muitos pedaços miúdos jogados uns sobre os outros.

Fico pensando em pedacinhos de mim,
Escorrendo como areia,
Marcando as horas dentro de um vidro.

Uma miúda sensação faz escorrer sobre mim outras miúdas sensações.

Tenho saudades inexatas
E cúbicas lágrimas,
Gelo que desliza os olhos.

Não há como pontuar a eternidade

(Rosana Kali)

Abril 8, 2008

Um dos meus poemas preferidos do meu amigo Marcelo:

ESTAÇÃO DO SILÊNCIO

A estação do silêncio está chegando
Percebo pela mira dos seus olhos
E pelas sombras que se formam no vazio
O descanso das canções não tardará
Sinto pelas emoções
Que me escorrem através dos dedos
E pela fria evaporação de meus desejos
A estação do silêncio está chegando
Minhas asas vão secar e cair
E meus pensamentos engolirão a mim mesmo

( Marcelo Domingues – A Luz dos Lunáticos)

Março 28, 2008

frase das bruxas de Macbeth:

“O Belo é podre, e o podre, belo sabe ser.
Ambos pairam na cerração e na imundície do ar.”

                                            (Shakespeare)

Fevereiro 15, 2008

trecho do romance que estou lendo:

” Expõe-se à venda a sua liberdade, seu repouso, sua consciência. Naufrague nossa vida, desde que as criaturas queridas sejam felizes. Mais ainda: aderimaos aos métodos jesuíticos, construimos uma causística sutil para explicar nossas atitudes. Chegamos, desse modo, a nos persuadirmos, por um momento, que tudo está bem assim, que o que fizemos era necessário, que a qualidade do fim justifica os meios. Eis como somos: e é claro como o dia”

( Dostoiévski – Crime e Castigo)