A Estação do Silêncio

Março 4, 2008 by Raquel Figueiredo

fotos do curta “A Estação do Silêncio”, dirigido por Marcelo Domingues.

Noite

Fevereiro 21, 2008 by Raquel Figueiredo

A canção melancólica que suspira a boquinha da coruja
Cobre de veludo a noite de pedra,
E os anjinhos dormem em paz
Com o sono que roubaram de mim.

Eu sou a mulher morta

Fevereiro 18, 2008 by Raquel Figueiredo

Eu sou a mulher morta
As noites nascem no meu peito
Estendidas em fios de ônix
Meu rosto são retalhos e alinhavos

Eu sou a mulher morta
Vago despercebida pela multidão
Os que se atrevem a olhar
Desviam logo seus passos
Não tenho crisântemos ou sepulcro
Meus ossos se batendo um no outro
E minha sombra sem direção

Eu sou a mulher morta
Que ainda não penetrou as entranhas do mundo
Faleci num dia branco
Em que ninguém olhou nos meus olhos
Deixei os anos caídos atrás de mim
E não juntei nenhuma lágrima do chão
Não há mais pranto nem riso
Há um fogo emudecido
E as cinzas espalhadas

Eu sou a mulher morta
E não desejo a ressurreição.

Ensaio fotográfico para peça “Um Gole de Chá”

Fevereiro 17, 2008 by Raquel Figueiredo

fotos de Rosana Kali

Sobre um tempo difícil

Fevereiro 15, 2008 by Raquel Figueiredo

Num século oco opaco
Enxerguei o vazio quando olhei para os lados
E um mundo devastado
Eu beijei meus próprios lábios

Atravessei um vale de lágrimas
Até tropeçar num corpo de sangue retalhado
O meu mesmo corpo com zumbis encalhados

Estou distante das velhas estações
Escorrida nas terras que visitei
Com buracos do tempo
Escritos no chão

Que rosto refletiu o espelho
Quando nele me mirei?
Quem é que foi o crepúsculo?
E o que foi a tempestade no fenecer da noite
E o pingar da madrugada?

Colhi cada gota de orvalho
Quando as flores choraram
E velejei pela manhã seca do teu Sol.

Fevereiro 15, 2008 by Raquel Figueiredo

trecho do romance que estou lendo:

” Expõe-se à venda a sua liberdade, seu repouso, sua consciência. Naufrague nossa vida, desde que as criaturas queridas sejam felizes. Mais ainda: aderimaos aos métodos jesuíticos, construimos uma causística sutil para explicar nossas atitudes. Chegamos, desse modo, a nos persuadirmos, por um momento, que tudo está bem assim, que o que fizemos era necessário, que a qualidade do fim justifica os meios. Eis como somos: e é claro como o dia”

( Dostoiévski - Crime e Castigo)

Ela, ele. Ele, ela

Fevereiro 15, 2008 by Raquel Figueiredo

Ela, sereia,
Despiu-se branca no momento azul.
Ele, com barba farpada,
Arrancou-lhe a alma inteira.
Depois daquilo
Um labirinto de mágoas
Pingando plic ploc no abismo.
Ela, ingênua sereia insegura,
Ignorante do seu poder de encantamento.
Ele, símbolo machista,
Desconhece as estradas femininas.
Ele e seus olhos quentes
Mascavam a paisagem do corpo dela.
O corpo música de violão.
Folhas castanhas em seu olhar, os olhos trôpegos.
Néctar na voz florida, porém pudica.
As estrelas derramadas nos seus infindos cabelos noturnos,
Cabelos negros com aromas belos e carentes.
Depois daquilo
Um labirinto de mágoas
Pingando plic ploc no abismo.
Ela, TUDO. Ele, NADA.
Ela, nada. Ele, tudo.
ELA, ELE. ELE, ELA.
Ela, sonhadora de castelos medievais,
Sombra encantada.
Ele, príncipe às avessas,
Mas acreditava mesmo na mentira.
Um toque, o sangue no lençol cândido.
Depois daquilo
Um labirinto de mágoas
Pingando plic ploc no abismo.

Canção de Mim

Fevereiro 14, 2008 by Raquel Figueiredo

De mim vou fazer uma canção,
Para gravar na eternidade das flores.
De mim sei sorrisos e dores,
De mim não escondo o coração.

Eu sou de silêncio,
Mas também de cadências.
Eu sou de confusos ruídos
E trovões do inferno,
Auréolas e decadências.

Sou de água com cor de fogo.
Sou de Sol gelado e Lua quente.
Eu sou Eva, Adão e a serpente.
Querubins no portal do paraíso.
Eu sou quem ninguém conheceu.
Eu sou uma das faces de Deus.

Costurando os mistérios
Com fios da minha alma,
Eu sigo a vereda com destino ao eu.

Sejam bem-vindos!

Fevereiro 13, 2008 by Raquel Figueiredo

Sejam bem-vindos todos que por aqui passarem! Neste blog pretendo publicar minhas poesias e também outros textos. E ainda fotos para aqueles que não se dão tão bem com as letras.

Doces beijos a todos os meus visitantes, isto é, se porventura aparecer algum!