Março 16, 2008 por Raquel Figueiredo
Por mais que fossem sólidos os sonhos,
Eles derreteram na geladeira do medo.
O desejo foi guardado como um segredo
E como um pecado para as almas de neve negra.
Com suas duas asas algemadas
Ele teve tempo de sentar e se tocar,
Porém não quis olhar pela janela as estrelas que perdeu.
Ele, querubim de vento e seu lamento.
Os risos foram vetados
E se esconderam atrás do infinito.
A verdade também está interditada
Ou então esquecida longe dos deuses inventados.
Ela esperava ainda por ele,
Contudo era loucura ou era sanguinário.
Talvez fosse desnecessário o que já fora urgente.
Ela, a vela que ele acendeu e assoprou.
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Março 9, 2008 por Raquel Figueiredo
Não mais os caminhos holográficos,
Não mais as paixões irreais.
É hora de acordar o espírito dourado!
Inundar a alma de poesia.
Quero ser a essência do infinito.
Eu chorei uma lágrima incolor.
Eu chorei uma lágrima seca.
Eu chorei uma lágrima no interior.
Eu chorei todo o meu passado,
Ondulou pelo olhar marejado,
Uma onda que não voltou.
Agora tenho apenas presente.
Não sou dona do tempo.
E o futuro nunca chegará.
A dor necessária para o aprendizado,
Os erros nos quais nunca mais…
As pessoas que quero reencontrar,
Um dia.
Agora é tempo de encontrar a mim,
Desvendar o meu íntimo segredo,
Escondido atrás de sete véus
Banhados em fel.
É hora de acordar o espírito dourado!
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Março 6, 2008 por Raquel Figueiredo
E era, quem me dera, era primavera e a atmosfera era de outra era que já era, que mesmo que era nessa era parecera que era na era primeva, da primeira primavera.Mas erra quem berra nessa era porque não era a primavera da primeva era, a primeira primavera…
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Março 4, 2008 por Raquel Figueiredo
fotos do curta “A Estação do Silêncio”, dirigido por Marcelo Domingues.





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Fevereiro 21, 2008 por Raquel Figueiredo
A canção melancólica que suspira a boquinha da coruja
Cobre de veludo a noite de pedra,
E os anjinhos dormem em paz
Com o sono que roubaram de mim.
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Fevereiro 17, 2008 por Raquel Figueiredo
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Fevereiro 15, 2008 por Raquel Figueiredo
Num século oco opaco
Enxerguei o vazio quando olhei para os lados
E um mundo devastado
Eu beijei meus próprios lábios
Atravessei um vale de lágrimas
Até tropeçar num corpo de sangue retalhado
O meu mesmo corpo com zumbis encalhados
Estou distante das velhas estações
Escorrida nas terras que visitei
Com buracos do tempo
Escritos no chão
Que rosto refletiu o espelho
Quando nele me mirei?
Quem é que foi o crepúsculo?
E o que foi a tempestade no fenecer da noite
E o pingar da madrugada?
Colhi cada gota de orvalho
Quando as flores choraram
E velejei pela manhã seca do teu Sol.
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Fevereiro 15, 2008 por Raquel Figueiredo
trecho do romance que estou lendo:
” Expõe-se à venda a sua liberdade, seu repouso, sua consciência. Naufrague nossa vida, desde que as criaturas queridas sejam felizes. Mais ainda: aderimaos aos métodos jesuíticos, construimos uma causística sutil para explicar nossas atitudes. Chegamos, desse modo, a nos persuadirmos, por um momento, que tudo está bem assim, que o que fizemos era necessário, que a qualidade do fim justifica os meios. Eis como somos: e é claro como o dia”
( Dostoiévski – Crime e Castigo)
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Fevereiro 15, 2008 por Raquel Figueiredo
Ela, sereia,
Despiu-se branca no momento azul.
Ele, com barba farpada,
Arrancou-lhe a alma inteira.
Depois daquilo
Um labirinto de mágoas
Pingando plic ploc no abismo.
Ela, ingênua sereia insegura,
Ignorante do seu poder de encantamento.
Ele, símbolo machista,
Desconhece as estradas femininas.
Ele e seus olhos quentes
Mascavam a paisagem do corpo dela.
O corpo música de violão.
Folhas castanhas em seu olhar, os olhos trôpegos.
Néctar na voz florida, porém pudica.
As estrelas derramadas nos seus infindos cabelos noturnos,
Cabelos negros com aromas belos e carentes.
Depois daquilo
Um labirinto de mágoas
Pingando plic ploc no abismo.
Ela, TUDO. Ele, NADA.
Ela, nada. Ele, tudo.
ELA, ELE. ELE, ELA.
Ela, sonhadora de castelos medievais,
Sombra encantada.
Ele, príncipe às avessas,
Mas acreditava mesmo na mentira.
Um toque, o sangue no lençol cândido.
Depois daquilo
Um labirinto de mágoas
Pingando plic ploc no abismo.
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Fevereiro 14, 2008 por Raquel Figueiredo
De mim vou fazer uma canção,
Para gravar na eternidade das flores.
De mim sei sorrisos e dores,
De mim não escondo o coração.
Eu sou de silêncio,
Mas também de cadências.
Eu sou de confusos ruídos
E trovões do inferno,
Auréolas e decadências.
Sou de água com cor de fogo.
Sou de Sol gelado e Lua quente.
Eu sou Eva, Adão e a serpente.
Querubins no portal do paraíso.
Eu sou quem ninguém conheceu.
Eu sou uma das faces de Deus.
Costurando os mistérios
Com fios da minha alma,
Eu sigo a vereda com destino ao eu.
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